Conhecimento e Inteligência EmpresarialA importância do conhecimento da missão e dos objetivos organizacionais, como fundamento para a gestão estratégica da informação, está associada a que com base naqueles parâmetros – é possível definir o escopo de informações e sistemas que deve ser construído para apoio ao processo de gestão.
As informações representam “visualizações” específicas dentro de um determinado contexto, construídas a partir dos dados coletados, por exemplo, consumidores com perfil demográfico similar ao do cartão 7859233 preferem comprar nas quintas-feiras, ou, eles tendem a comprar mais do que $ 50 em mercadorias em cada visita ao shopping.
A partir do conhecimento dos objetivos de desempenho e das metas a serem alcançadas, a gestão da informação pode subsidiar a direção do negócio com indicadores de desempenho, que devem constituir os marcos (milestones) através dos quais se pode avaliar os resultados da gestão.
O conhecimento representa a habilidade de alguém para explorar a informação disponível, agindo em seqüência como resultado de um entendimento obtido. Neste caso, o gestor já dispõe de uma experiência anterior no tratamento de situações similares e possui uma formação em marketing que o habilita a realizar uma análise mais acurada do problema;
A visão da empresa através dos seus processos de negócio, por outro lado, auxilia à gestão da informação no sentido de estabelecer indicadores voltados ao monitoramento de resultados orientados para produtos, serviços ou clientes específicos, além de possibilitar uma visualização mais dinâmica da forma como os recursos estão sendo aplicados na organização.
Uma abordagem mais detalhada a respeito da gestão orientada para processos será desenvolvida no próximo capítulo, que trata das relações entre o processo decisório e a informação.
Outros conceitos relevantes para o entendimento do contexto e abrangência da Gestão Estratégica da Informação são os relacionados a Conhecimento e Inteligência Empresarial.
A inteligência é a capacidade de reconhecer (perceber) um problema, necessidade ou oportunidade, a partir de sinais explícitos (informações) e do conhecimento do gestor, que precede a escolha de uma alternativa entre possíveis hipóteses de ação. Neste caso, a análise das informações disponíveis levaria o gestor a decidir sobre campanhas promocionais alternativas para manter ou alterar o comportamento de compra de um ou mais segmentos de consumidores.
Na literatura contemporânea relacionada à gestão encontramos um consenso: a disponibilidade de informações precisas, confiáveis e na medida certa não constitui, por si só, fator de aumento de competitividade do negócio.
Assim, para que as informações disponíveis se tornem efetivamente úteis, dependemos de que a empresa disponha da habilidade prática de seus quadros para explorá-las, agindo como resultado do entendimento obtido.
Tal fato nos remete à discussão de outro aspecto relevante das organizações baseadas na informação, relacionado à necessidade do desenvolvimento de uma infra-estrutura de conhecimento que as transforme efetivamente em organizações instruídas, conforme salientado por Drucker (1997).
Na sua obra o autor enfatizou o deslocamento do centro de gravidade nas empresas das ocupações especializadas e repetitivas para o trabalho intelectual, “todo o trabalho que exige principalmente esforço cerebral, em oposição ao trabalho manual, corporal ou maquinal” (Drucker, 1997 : 148).
O trabalho intelectual, característica essencial de um novo conjunto de profissionais – os trabalhadores do conhecimento (knowledge workers) – está inserido no contexto da sociedade instruída (knowledge society), na qual a ampliação do conhecimento e da educação constituem fatores chave para a conquista de bons empregos e para uma carreira bem sucedida.
Tais considerações nos remetem à discussão das questões relacionadas à inteligência empresarial.
O conceito de Inteligência Empresarial parte do princípio que não basta uma empresa dispor de um bom sistema de informação para uma gestão bem sucedida, sendo fundamental que a mesma tenha capacidade para utilizar adequadamente as informações geradas para agregação de valor ao negócio.
Assim, para que haja efetividade no uso das informações, a empresa deve ser capaz de alavancar o conhecimento disponível dentro da organização – de forma explícita ou implicitamente junto às pessoas ou grupos.
Nesta linha, a visão tradicional a respeito da gestão da informação nas organizações – fundada na captação de dados e na geração de informações – deve ser ampliada no sentido da incorporação de dois novos elementos ao processo, tais sejam conhecimento e inteligência (insight).
Gestão Orientada para o Conhecimento
Em uma sociedade baseada no conhecimento o futuro pertencerá mais a quem usa a cabeça em lugar das mãos. Neste contexto, a habilidade de gerenciar o que se chama de “intelecto baseado no conhecimento” está rapidamente se tornando a exigência crítica para os executivos contemporâneos.
Ainda nesta linha, a criação de novos conhecimentos não é mais apenas uma questão de aprendizado no sentido convencional, adquirido através de programas de capacitação e reciclagem dos quadros organizacionais.
Além das formas clássicas de treinamento o conhecimento deve ser acumulado de forma espontânea, a partir do compartilhamento das experiências e habilidades individuais adquiridas, o que na maior parte das vezes exige uma interação intensiva e laboriosa entre os membros da organização.
Cabe aos executivos dos níveis hierárquicos superiores desempenhar este papel inovador de integrar as pessoas dentro das organizações. Alguns autores sugerem, nesta linha, que “a tarefa mais básica dos líderes corporativos é liberar o espírito humano, que torna possível a iniciativa, a criatividade e o empreendorismo” (Bartlett & Ghoshal, 1995).
Christiana Nantes é pós-graduada em Administração e Tecnologia da Informação pela UFF e Analista de Negócios de uma multinacional.
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