A hora das mulheres no esporte.Após conquistarem postos cada vez mais destacados no mercado de trabalho, as mulheres passaram a ocupar um espaço importante no esporte brasileiro.
Está duvidando ? Vamos analisar então a performance feminina nas últimas Olimpíadas: pela primeira vez na história olímpica brasileira, as mulheres constituíram praticamente 50% da delegação. Para ser mais preciso, os homens somaram apenas dois atletas a mais que o contingente feminino em Atenas.
Com relação aos resultados, a surpresa foi ainda maior. Esportes tradicionais no país, como o futebol e o basquete, sequer conseguiram classificar suas equipes masculinas para as Olimpíadas. Enquanto isso, as meninas do futebol e da ginástica olímpica, escreveram uma nova história para as suas modalidades, graças a inédita medalha de prata do futebol e pela presença da equipe feminina da ginástica entre as doze melhores seleções do mundo (é um dos poucos esportes que possuem dois grandes ídolos femininos, Daniele Hypolito e Daiane dos Santos).
Outro exemplo da redenção das mulheres aconteceu na natação, onde os homens sempre ocuparam lugar de destaque, com as brilhantes atuações de Ricardo Prado, Fernando Scherer e Gustavo Borges. Em Atenas, dos sete nadadores brasileiros que chegaram às finais, cinco foram mulheres (!) Se lembrarmos que uma mulher brasileira não chegava as finais olímpicas nos últimos 40 anos, as nadadoras brasileiras realizaram um feito épico.
Tais conquistas abrem um espaço importante para as mulheres no campo do marketing esportivo. Empresas como Bombril e Oi/Telemar já apostam maciçamente na força consumidora feminina e na formação de um novo público esportivo, até então território eminentemente masculino.
Atém mesmo esportes tradicionalmente “de machos” como o automobilismo se rendem ao charme destemido das mulheres. Atualmente o piloto mais disputado pela imprensa e pelos patrocinadores chama-se Donica Patrick, uma baixinha atrevida que chegou na quarta posição na tradicionalíssima prova de Indianápolis, tendo liderado a corrida por várias voltas. Isso tudo sem perder a delicadeza, pois Donica pode ser vista na mídia tanto de macacão como num vestido generosamente decotado.
Esta talvez seja a chave do sucesso das mulheres esportistas no mercado publicitário. A aliança entre a feminilidade e beleza com atributos muito valorizados, como determinação, superação, coragem e vontade de vencer.
Nossas leitoras (e até alguns leitores mais observadores) já devem ter presenciado situações recheadas de preconceito contra as mulheres em seu ambiente de trabalho, a começar pela criação de estereótipos que se entranham no imaginário popular, como a “loura burra”, a “feia eficiente”, a chefe cuja severidade é atribuída ao fato de ser mal amada e a legendária TPM, capaz de transformar a mais delicada das mulheres num poço de raiva e mal humor.
É ou não é bem mais difícil chegar aos lugares mais altos do pódium com estes obstáculos.
Vamos então torcer muito por elas... e investir também.
Ricardo Buarque é sócio diretor da Enter Assessoria de Comunicação, uma empresa especializada em assessoria de imprensa e marketing esportivo. Durante 15 anos trabalhou na área de Marketing & Comunicação da Unisys Brasil, onde iniciou a política de apoio ao esporte mantida pela empresa até hoje.
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