Marketing Esportivo


Pobre Basquete Brasileiro!

Logo após a conquista de uma vaga para o Mundial Masculino o basquete brasileiro volta a dar mostras de desunião e discordância entre egos.

De um lado o presidente da CBB, o Grego e de outro o ex-jogador Oscar, agora divergem sobre a convocação de jogadores integrantes da Nova Liga de Basquete, entidade dirigida por Oscar.

Grego, amparado por resolução da FIBA (Federação Internacional de Basquete), entidade máxima da categoria, diz que não convocará para a seleção brasileira jogadores que disputarem a Liga. Segundo ele, a FIBA proíbe convocação de atletas participantes de ligas não reconhecidas pelas entidades nacionais. Como ele é o único responsável por este “reconhecimento”, atletas da Liga estão condenados a esquecerem a seleção nacional.

Oscar, por sua vez, se vê em maus lençóis: além dos maiores clubes de basquete do país terem aderido ao campeonato organizado pela CBB, agora vê um componente seríssimo para diminuição das adesões de atletas a sua Liga.

Porém esta “queda de braço” deve ser analisada com muito cuidado, pois o primeiro posicionamento do grande público e da mídia em caso de brigas entre dirigente e atletas (ou ex-atletas) é ver o primeiro como um inimigo a ser combatido sem clemência e o segundo como um herói quase sempre infalível.

Apesar de já ter convivido e assistido inúmeros desvarios destes dirigentes cada vez mais amadores, tenho visto posturas dos nossos ídolos que chegam as raias da decepção.

Vamos então aos fatos. A Liga liderada por Oscar nasceu de um projeto idealizado por João Henrique Arêas, proprietário da empresa Sport Link, e que liderou as atividades de marketing esportivo da CBB na gestão Brito Cunha. Seu projeto inicial previa uma Liga disputada apenas por times ligados a universidades através do regime de franquias, o mesmo modelo utilizado pela NBA. A Liga ficaria responsável pela organização, comercialização e administração do campeonato, sendo inclusive a contratante dos atletas, que seriam distribuídos – via draft – pelas equipes disputantes, buscando equilibrar os elencos para dar maior competitividade ao campeonato.

Este conceito só não foi adiante, pois Oscar e outros ex-atletas entenderam que os clubes, por serem as células formadoras de talentos, não podiam ficar de fora e por isso boicotaram a iniciativa.

Esta divisão de forças só foi benéfica para a CBB, que apesar de organizar de forma medíocre o seu campeonato, conseguiu manter o atual status, ou seja, de única alternativa para administração do esporte no país.

Além disso, existe no imaginário coletivo a impressão de que atletas são os mais capacitados a gerirem as atividades esportivas. Pelo que tenho visto por aí, quase sempre isto é uma ilusão. Já tivemos inúmeros casos onde estas gestões não deram certo. O próprio Oscar já fez escolhas equivocadas na vida, como ser um cabo eleitoral assumido e até mesmo secretário do Governo Paulo Maluf em São Paulo (esta “cegueira” política mancha o currículo de qualquer um). Ou no último campeonato brasileiro, quando num gesto passional e constrangedor para os atletas e comissão técnica que dirigia, exigiu que seu clube se retirasse da quadra em um dos jogos do playoff final, fato que se concretizasse poderia dar início a uma verdadeira tragédia em Uberlândia.

Quanto ao Grego, nem é preciso falar nada. Os fatos dizem tudo. Campeonato Nacional falido, fuga de patrocinadores da iniciativa privada, administração extremamente centralizada, permanência perene no poder. Não é à toa que o basquete está na penúria. Sorte dele, que existem os Jogos Pan-Americanos, onde o Brasil sempre brilha e camufla a sua decadência.

Como fã do esporte, gostaria de ver tudo isso mudar, mas não vejo “luz no fim do túnel”. O equilíbrio, o bom senso, o profissionalismo ainda continuam longe do basquete brasileiro.

Ainda bem que contamos com uma geração de jogadores que tem tudo para marcarem história no esporte nacional. Talentos que muitas vezes mascaram as mazelas estruturais.

Mais isso é assunto para outro artigo.

Boas cestas!

Ricardo Buarque é sócio diretor da Enter Assessoria de Comunicação, uma empresa especializada em assessoria de imprensa e marketing esportivo. Durante 15 anos trabalhou na área de Marketing & Comunicação da Unisys Brasil, onde iniciou a política de apoio ao esporte mantida pela empresa até hoje.
ricardo.buarque@internativa.com.br