Como eu faço para entrar no RH?Introdução.
Muitas pessoas me perguntam sobre isto. E, por outro lado, percebo que muitos profissionais que hoje militam nessa área, têm dúvidas sobre o que realmente é o RH. Ou seja, têm uma visão míope do mesmo.
Assim, antes de tudo, vou dar a minha definição de RH. O que é esta área; sua importância para as organizações; para o cliente; para a sociedade que está inserida; e, para o país.
Na verdade a área de RH tem uma dupla função, a saber:
O RH não é folha de pagamento, admissão, demissão, treinamento, etc. Estas atividades – importantes – são responsabilidades do RH, visando seu principal destino: o de ajudar a construir sonhos.
Assim, para trabalhar e ter sucesso2 nessa área, o postulante terá que abrir mão de sua visão míope do RH3 e entender realmente a complexidade – e a importância – da área para o indivíduo, a empresa, a família dos indivíduos, a comunidade em geral, os clientes e o país.
Assim, posso afirmar que o primeiro passo para se trabalhar no RH é ter a correta dimensão da importância do mesmo.
II - Desenvolvimento.
Construindo sua carreira com o foco no desenvolvimento de táticas para entrar no RH.
Existem diversas formas de se “entrar” no RH:
Todas estas formas são possíveis e lícitas, mas você só será efetivamente um profissional do RH se compreender a complexidade da área, desenvolver o feeling e a particularidade que ela possui, ter princípios éticos e morais compatíveis com o tamanho do desafio e ter competência técnica comprovada.
Alguma novidade nisto?
- Não. Nenhuma.
A novidade – na minha perspectiva – é que quem quiser trabalhar no RH deverá desenvolver (além do citado acima) uma expertise muito focada em algum conhecimento que o mercado-alvo esteja querendo/necessitando.
Ou melhor, é lícito e flagrante para todos nós, que a competição e a concorrência entre as empresas é crescente. A cada dia que passa mais os consumidores exigem seus direitos e, pelo lado das organizações, há uma busca frenética em atender essas demandas.
Assim, ter recursos humanos qualificados e preparados é fator crítico de sucesso. Não tenham dúvida disto.
O que eu sugiro para os interessados em ingressar na área é:
- Montem um projeto de RH que o contratante esteja querendo/ansiando.
É só isto!
As empresas precisam de talentos. É com estes talentos que elas sobreviverão. Não adianta ter um parque tecnológico de “primeiro mundo” se seus recursos humanos estão na “era das cavernas”. Os empresários não são tolos e eles estão – todos – esperando pessoas talentosas para investir.
Por outro lado, em função desse investimento, os empresários esperam a devida contrapartida que deve ser cristalizada através do aumento do faturamento e da satisfação de seu cliente final.
Eles já perceberam que ter um profissional de RH preparado lhe dará mais chances de obter o que ele quer e o cliente almeja: sua satisfação total e incondicional.
Aí entra você com seu projeto de RH!
Desenvolvendo um projeto de RH.
Na economia do século XXI este conceito está cada vez mais assumindo maior importância. Um dos motivos que fazem dessa ferramenta uma poderosa arma é o fato das organizações estarem buscando certa diferenciação.
Quando se diz diferenciação, está se afirmando que existe uma significativa tendência das empresas buscarem maior personalização dos seus produtos e serviços e, com isto, a permanente necessidade de inovação.
Um projeto tem por definição, ser um empreendimento temporário, que visa fornecer um produto singular dentro de restrições orçamentárias. (Maximiano, 2002) Os projetos são instituídos, via de regra, nas organizações, por alguns desses motivos:
Por outro lado, geralmente, projetos só são montados para as empresas. O que eu proponho é que, se você quiser trabalhar no RH, deverá incorporar o conceito de projeto em sua carreira e terá significativo sucesso.
Hoje, eu acredito piamente, que o que distinguirá uma pessoa da outra, será a sua capacidade analítica e visão sistêmica do mercado4, buscando alcançar seus espaços nas organizações desenvolvendo projetos de nicho.
- Por quê?
Na verdade as organizações modernas deste século já trabalham dentro do conceito de projeto e, por outro lado se pararmos para pensar, as tarefas rotineiras do RH já tem gente com relativa capacidade desempenhando. Já as tarefas inovadoras e/ou ainda não implantadas na empresa-alvo5, exigem um capital humano mais capacitado e/ou especializado e que possa, já que não está na operação da organização, desenvolver esta necessidade com certa disponibilidade e total envolvimento.
As atividades inovadoras, diferentemente dos processos já em operação na empresa-alvo, requerem soluções inovadoras e processos com complexidade distinta da que a empresa está acostumada a lidar. Aí entra sua expertise.
Estruturando Um Projeto Para o RH.
Todo projeto tem seu ciclo de vida, que começa na fase conceitual, passa pela fase de planejamento, execução e conclusão. (Menezes, 2003)
Este artigo vai destacar apenas a primeira fase: a fase Conceitual.
A fase inicial (ou conceitual) é a fase de germinação da idéia do projeto. Ela vai até a aprovação do mesmo, portanto, antes da fase execução.
Talvez esta fase seja a mais complexa, por um lado, e a mais simples por outro.
Nesta fase, o postulante a trabalhar no RH, deve saber exatamente (ter a certeza e a consciência) do que quer. É nesta fase que se começa a prospectar a oportunidade que fará de você um futuro profissional dessa área. Assim:
Observação Importante:
- O segmento empresarial tem que ser escolhido previamente, a fim de que não haja necessidade de ajustes significativos à realidade daquele tipo de negócio. Ou seja, estabelecer seu foco é primordial e vital para o seu sucesso.
A estrutura de seu projeto deverá ser simples, direta e concisa. Seu projeto deverá dar ao leitor os dados inicias importantes para a sua tomada de decisão:
1) Você conhece alguém dessa empresa-alvo que está interessado em ingressar?
- Se sim está tudo ótimo!
Caso sua resposta seja não. Procure quem conheça alguém para facilitar as coisas para você.
Conhecer alguém dentro da empresa-alvo é um facilitador, mas não é um elemento que venha a ser de grande preocupação sua.
Seu foco deve ser seu projeto e sua preparação para o dia da apresentação dele ao possível contratante.
2) A preparação para o momento da reunião é simples (qualquer literatura sobre marketing pessoal irá tirar todas as suas dúvidas quanto à postura, etc).
Portanto, o importante é você ter a consciência que o momento da entrevista é crucial estar preparado e com todas as informações “na ponta da língua”.
Importante:
Caso não se conheça ninguém na empresa e/ou não conheça ninguém para te auxiliar na tarefa de chegar ao seu objetivo, o que você tem que fazer é o seguinte:
3) Mostre que conhece a empresa-alvo (mas sem arrogância e/ou prepotência. Evidencie o seu interesse pela empresa!). Apresente o projeto de forma clara, direta e sem “blá blá blá”.
O tempo não pode ser “gasto” com inutilidades. Estime a apresentação de sua idéia em algo em torno de 15 (quinze) minutos.
4) Após a apresentação do projeto agradeça e espere o contato. Não esqueça de, após a apresentação do projeto para a possível pessoa contratante, mandar um e-mail de agradecimento e se colocando sempre à disposição.
Conclusão
Por muitas vezes queremos tanto uma coisa e, por querer tanto esta coisa, acabamos ficando “cegos” diante das oportunidades que se apresentam.
Não quero aqui defender panacéias e/ou elixires milagrosos. Muito pelo contrário. Quero, através de uma proposta de trabalho, defender que o mercado está receptivo e carente de projetos que vislumbrem novas formas de atrair, reter, capacitar, desenvolver e todos os demais subsistemas de RH na busca incessante pela sobrevivência.
Por outro lado, que o emprego está escasso, isso nem se menciona/discute, mas que tem muito empresário atrás de pessoas talentosas nessa área, isso tem demais.
Assim, prepare-se que tem espaço para todo mundo com talento e preparado para agarrar sua chance!
Não a desperdice.
Bibliografia:
CHÉR, Rogério. O meu próprio negócio. São Paulo: Editora Negócio, 2002.
GIL, Antonio Carlos. Pesquisa Social. São Paulo: Editora Atlas, 1999.
MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Administração de Projetos. São Paulo: Editora Atlas, 2002.
MENEZES, Luis César de Moura. Gestão de Projetos. São Paulo: Editora Atlas, 2003.
ZENTGRAF, Maria Cristina. Metodologia da Pesquisa. Rio de Janeiro: Centro de Estudos de Pessoal, 2003.
Leitura complementar sugerida:
CRAWFORD, Richard. Na era do capital humano. São Paulo: Editora Atlas, 1994.
EDVINSSON, Leif e MALONE, Michael. Capital Intelectual. São Paulo: Makron Books, 1998.
FIGUEIREDO, José Carlos. O ativo humano na era da globalização. São Paulo: Editora Negócio, 1999.
PASSOS, Alfredo e NAJJAR, Eduardo. Carreira e Marketing Pessoal. São Paulo: Editora Negócio, 1999.
Notas:
Angelo Peres é Sócio-Gerente da P&P Consultores Associados e professor universitário.
ppconsul@unisys.com.br