Segurança da Informação


Da diferença entre o discurso e a prática.

" Maldito o homem que confia no homem"
Jeremias 17;5

É claro que o mundo seria um lugar bem mais fácil para se viver se todos os discursos e bravatas, muitas vezes inflamadas pelo calor da emoção, que ouvimos por aí, fossem devidamente acompanhados de ações que dessem legitimidade às promessas feitas pelos homens: Quão sujeitos estamos os velhos ao vício da mentira1.

Todos aprendemos a mentir desde pequenos com os nossos pais. A mentira, apesar de sob a luz de uma ética mais radical parecer abjeta, tem cumprido seu papel sustentando as relações humanas e tornado a vida em sociedade suportável em muitos aspectos.

Mentimos pelos mais diversos motivos, inclusive, às vezes, enganamos a nós mesmos: "Nós estamos tão acostumados a nos disfarçar dos outros que acabamos nos disfarçando de nós mesmos2” . A grande maioria dos homens fala demais, escuta pouco e mente em demasia. Em decorrência disso, muitas promessas são feitas e poucas são cumpridas, assim como, de forma similar, alguns cheques emitidos nunca encontrarão fundos no banco.

A mentira é nossa velha conhecida, muitos porém, parecem esquecer sua existência e acreditam sem reservas. Uma pessoa mente e a outra acredita. Eis o roteiro perfeito para encenar a tragédia da decepção em que o ressentimento e a revolta são os principais atores.

Tenha isso em mente:

Trabalhar com segurança da informação é administrar frustrações. Nem sempre sua empresa vai lhe dar a sustentação adequada para você desempenhar seu papel do jeito que você gostaria. E se você trabalha na área, sabe o quanto um bom patrocínio é fundamental. Muitos executivos e gerentes prometem como bons políticos que são, parceria na defesa da segurança. Quando se fala em investimentos para projetos e ações concretas, a conversa pode vir a assumir a face sorridente da mentira.

A chave para encontrar a tranquilidade é filtrar as promessas, não criar grandes expectativas, aprender trabalhar com poucos recursos e, é claro, persistir, persistir e persistir. Mas lembre-se de não deixar que a tolerância, de virtude, se transforme em vício: se não há o mínimo de apoio para seu trabalho, o mercado anda promissor para os profissionais de segurança.

1Shakespeare, Henrique IV, Ato III, Cena II
2La Rochefoucauld

Carlos Santanna - Security OfficerCarlos Santanna é certificado BS7799 Lead Auditor pelo DNV e trabalha como Security Officer de uma multinacional e anda meio cético.
carlos.santanna@internativa.com.br