Uma breve história no tempo"Não existe mais time bobo". Foi esta frase que um renomado técnico de futebol da nossa seleção pentacampeã de futebol soltou em meio a uma entrevista coletiva após uma das derrotas do Brasil nas eliminatórias sulamericanas para a Copa do Mundo. Tal frase causou um mal-estar no país do futebol, mas logo vieram as explicações.
Se no futebol não existem mais "bobos", será que eles ainda existem na área de TI ? Definitivamente "NÃO". Não há mais espaços para eles. E por quê ? Pois desde o início dos anos 90 o mercado vem exigindo um padrão mínimo de qualidade e preparação das empresas e dos profissionais da área. Os usuários começaram a ter mais contato com computadores, softwares, sistemas operacionais e banco de dados, ou seja, deixaram de ser "bobos". Começaram a evoluir, tornaram-se clientes exigentes, sentavam nas mesas de definições de escopo ou nas sessões "JAD" discutindo as "necessidades do projeto" como se fossem profissionais de TI. Conheciam as maneiras de como desenvolvíamos e programávamos (muitos deles começando a se aventurar em VB/Delphi) e os mais espertinhos já conversavam sobre modelagem de banco de dados.

Os usuários evoluíram. A informática deixava de ser de alguns "NERDS" para se tornar o dia-a-dia desses clientes. Quem ainda não desenvolveu um front-end usando o MS Access (pelo menos o famoso exercício primário de cursinho sobre catálogo de contatos de agenda) ? Atualmente um candidato a emprego com exigência de nível de segundo grau precisa conhecer todo o pacote Windows/ Office/ Internet Explorer/ PhotoShop/ CorelDraw/ Access/ DreamWeaver/ ASP/ HTML/ Java/ J2EE/ VB/ DotNet. E ajuda um pouquinho se tiver um diploma de nível superior.
Pois bem, a coisa estava feia pro pessoal de TI. Por isso vieram as metodologias, os padrões de desenvolvimento, as métricas de qualidade. Tudo para separar o joio do trigo, para profissionalizar o pessoal de TI.
As grandes empresas investiram pesado em metodologias. As primeiras a surgir foram as metodologias de desenvolvimento de sistemas. Grandes nomes como Yourdon, Norton e a dupla James Martin-Chris Gane surgiram no cenário internacional com modelos de desenvolvimento de sistemas. Modelos que nortearam toda uma geração de analistas e programadores.
Depois vieram os padrões uniformizando o conhecimento e evoluindo as técnicas de desenvolvimento dos sistemas.
Com o advento dos outsourcings, esses padrões ficaram mais populares, as empresas apenas adaptavam padrões de mercado geralmente aceitos e tornavam esses padrões em Metodologias Internas. Toda grande empresa tem uma metodologia de nome próprio baseada no seu know-how ou, mais atualmente, na RUP. Isso porque o outsourcing tornou-se um prática de mercado.

Então vejamos: Os clientes ficaram mais espertos. Novas técnicas e padrões de desenvolvimento foram implantados. Surgiram assim as metodologias, e ficamos a um passo do pensamento unificado. Surgiu a RUP como padrão de mercado em desenvolvimento de sistemas. Com um universo unificado em torno de um pensamento sistêmico, as empresas partiram para mais uma solução prática. A Fábrica de Software. Lembra dos requisitos mínimos que coloquei no início desse texto. Pois bem, isso é típico de uma empresa que trabalha com Fábrica de Software. E quem trabalha hoje com Fábrica de Software ? 99 % das empresas que trabalham e prestam consultoria em TI. E como elas foram implantadas ? Como de fato surgiram ? Como são avaliadas ? Onde entra o trabalho da Qualidade ? Como atingir as habilidades desses novos profissionais ? Por que não se fala mais em sistemas, só em projetos ? Qual a estrutura dessas novas empresas ? Vamos continuar abordando esse assuntos ao longo do tempo. São assuntos inesgotáveis que espero que dêem muita discussão.
Vejo vocês em breve.
Luiz Castro é “Senior Consultant” de uma multinacional.
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